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Os aviões são, de longe, uma das mais importantes invenções do ser humano. Com as modernas aeronaves é possível viajar para qualquer lugar do mundo, atravessando continentes e oceanos. Entretanto, as viagens áreas para longas distâncias expõem os viajantes a uma série de fatores que podem causar efeitos negativos na saúde.

Um dos impactos de viagens longas, principalmente aquelas que atravessam continentes, é o famoso e temido jet lag, cujo nome médico é síndrome da dessincronização. E essa é mesmo a sensação descrita pelos viajantes: um desequilíbrio total dos ritmos do corpo. Os sintomas do jet lag estão relacionados à adaptação do corpo às mudanças do fuso horário, sendo a insônia o mais comum.

Segundo a psicóloga Fernanda Queiroz, cofundadora da VOE Psicologia, empresa especializada no tratamento do medo de voar, o jet lag é o termo utilizado para descrever os sintomas causados pela mudança nos padrões ritmos naturais do corpo quando a pessoa cruza muitos fusos horários.

“Alguém que sai do Brasil e vai para a China, por exemplo, atravessa diversas zonas de tempo. Essa passagem por diversos fusos causa a dessincronização ou desorientação até que o corpo consiga reajustar novamente seu relógio interno, também chamado de ciclo circadiano, que leva ao funcionamento do organismo em um período de 24 horas”, comenta Fernanda.

Adultos são mais afetados
Um estudo sobre o assunto mostrou que 74% das pessoas que viajam a negócios são afetadas pelo jet lag.  Os adultos, principalmente pessoas com mais de 50 anos, costumam sentir mais os efeitos do jet lag do que que crianças e adolescentes. Entre os principais sintomas estão insônia, cansaço, irritabilidade e problemas gastrointestinais. Para quem viaja a trabalho isso pode representar perda de produtividade e, se a viagem for a lazer, menos prazer no descanso.

Ritmos diferentes
Nosso organismo se baseia no ciclo circadiano para indicar quando é hora de dormir e quando é hora de acordar, por exemplo, modulando assim o ciclo sono-vigília. A presença e a ausência da luz são os principais indicadores para o corpo de que é hora de dormir ou hora de acordar.

“Quando o dia começa a escurecer, o organismo passa a secretar a melatonina, hormônio que induz o sono. Quando amanhece, a luz interrompe a sua produção. Nas viagens em que há mudança de fuso, esse ritmo é quebrado. Se viajamos no sentido do Leste para o Oeste, nosso relógio biológico acelera. Se nos movemos de Oeste para Leste, ele retrocede”, explica Fernanda.

Um dia para cada fuso atravessado
Felizmente, o corpo humano se adapta ao fuso horário. Mas, para isso é preciso ter paciência. “O corpo se adapta às mudanças de fuso cerca de uma hora por dia para cada fuso atravessado. Por exemplo, se a pessoa foi do Brasil para a Rússia, ela passou por nove zonas e ela precisaria, em média, de nove dias, para se adaptar complemente ao fuso local”, diz Fernanda.

Curiosamente, quem viaja do Oeste para o Leste costuma sentir menos o jet lag. Já as viagens de norte para o sul não costumam causar jet lag, principalmente se não há mudança no fuso.

Precisa tratar?
Na maioria dos casos não. Segundo Fernanda, é preciso fazer uma boa higiene do sono, adequar os horários de dormir e de acordar com a regulação da luz, cuidar da alimentação, ingerir líquidos e praticar atividade física. “Quanto ao uso de medicamentos para dormir, é preciso cuidado. Algumas pessoas realmente podem precisar de medicamentos para induzir o sono. Mas, somente nos casos em que a duração dos sintomas do jet lag seja maior do que o esperado e, claro, sempre com a prescrição médica”.

Veja abaixo outras dicas:

  • A luz é um dos principais indicadores para que o corpo regule o ciclo do sono-vigília. O ambiente de dormir deve ser escuro e tranquilo. Já para acordar, prefira o máximo de luz possível
  • Para quem vai para o Oeste, a dica é permanecer acordado durante o dia e dormir quando escurecer
  • Para voos que vão para o Leste, o ideal é ficar acordado, porém evitar luz natural pela manhã e, se possível, ficar ao ar livre à tarde. Isso ajuda o corpo a secretar a melatonina no período certo.
  • Evite beber álcool ou bebidas com cafeína antes, durante e após o voo
  • Se está viajando para o Oeste não durma durante o voo
  • Prefira os voos diurnos
  • Adote o horário local já durante o voo. Você deve dormir e comer no horário do local de destino para ajudar o corpo a se ajustar
  • Aproveite para se expor à luz em lugares ao ar livre
  • Respeite seu organismo. Reserve as primeiras 24 horas para descansar e entenda que o jet lag pode acontecer

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